quarta-feira, 19 de novembro de 2008

... e se é vontade de chorar, que eu derrame o cume de todas as montanhas, porque existe vida dentro da vida. e me aperta o peito essas lágrimas que não consigo soltar, prendo junto ao pulso que me cala de nuances que tento destingir, vira tudo sombra numa memória mesquinha. a eternidade perpetuada em teu ventre marfim, meus escrúpulos tão insustentáveis quanto a minha beleza. e se é vontade de gritar, que eu supere a dor do parto e te deixe fluir, levando meus pedacinhos.. me sinto assim, coisinhas pequenas que são distribuídas, gigantes em sua miúdez, saturadas de volúpia e caos. perdidas entre as unhas que quebram e o cinza do dia, e quando as gotas de chuva se desprendem das nuvens, penso que até o céu sabe chorar melhor que eu. e fica estritamente esclarecido que devo aprender a chorar, submetida ao hedonismo lascivo sustentado pela inteligência emocional que me cabe quando os sentidos me tocam. as coisas. as cores. as palavras. os sons. a chuva. a janela. o mar. os prédios. eu. eu. eu. que tudo me afunda em devaneios poéticos... e se é vontade de ser, que eu descubra que preciso de um ardor urgente que me salve da compreensão sensorial de uma vastidão desmedida, e que entender demais também é uma forma de ilusão. queria pintar as paredes do quarto, e junto com elas trocar a cor das minhas asas. hoje, o querer, não basta...

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